Conhecendo a Paralisia Cerebral (PC)

De acordo com o Departamento de Neurologia Infantil da Universidade de São Paulo (2007), a Paralisia Cerebral (PC) é uma das patologias neurológicas mais comuns na infância, acarretando grande impacto social. Embora exista dificuldade em estabelecer parâmetros de diagnóstico uniformes, estima-se que haja uma incidência de cerca de 26 mil novos casos por ano no Brasil, com sete casos a cada mil nascimentos (Lima; Fonseca, 2004).

Segundo Hansen (2003), a paralisia cerebral é a sequela de uma agressão encefálica que se caracteriza primordialmente por um transtorno persistente do tônus, da postura e do movimento, que surge na primeira infância. Deve-se não só a esta lesão não evolutiva do encéfalo, mas, também, à influência que a referida lesão exerce sobre a maturação neurológica.

Embora a PC seja incurável, é essencial que a interação entre paciente, familiares e profissionais seja estabelecida precocemente, para que a adequada orientação aconteça na intenção de prevenir e minimizar as sequelas deixadas pela lesão, interferindo assim, positivamente, no desenvolvimento físico e emocional da pessoa acometida (Nobre; Montilha; Temporini, 2008).

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Em 1843, o ortopedista inglês William Little fez os primeiros relatos de uma encefalopatia crônica da infância que afetava crianças nos primeiros anos de vida. O mesmo identificou diferentes causas e características, principalmente por rigidez muscular, em especial nos membros inferiores, e em menor grau nos membros superiores, tendo relacionado estas alterações com fatores determinantes para lesões cerebrais irreversíveis. A maioria das crianças analisadas havia nascido prematuramente ou por partos complicados que ocasionavam hipóxia perinatal, ou seja, a pouca oxigenação danificaria tecidos cerebrais responsáveis pelos movimentos. Tal condição foi denominada “Síndrome de Little”, atualmente descrita como Diplegia Espástica (Diament, 1996).


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Leite e Prado (2004) afirmam que foi Freud, médico e fundador da psicanálise, que durante seus estudos sobre a Síndrome de Little, sugeriu que a doença poderia ocorrer também antes do nascimento e que as dificuldades durante o parto poderiam ser os primeiros sintomas e não necessariamente a sua causa. E, embora tenha sido Freud quem sugeriu a expressão “paralisia cerebral infantil”, segundo os autores, mais tarde foi Phelps, médico responsável por desenvolver um dos primeiros programas para a paralisia cerebral nos Estados Unidos, quem generalizou o termo para diferenciá-lo de paralisia infantil, nome dado à paralisia causada pelo vírus da poliomielite.

Na literatura encontramos várias definições para paralisia cerebral. Ferrarreto e Souza (1998, p. 5) propuseram o seguinte conceito aceito pela Sociedade Internacional de paralisia cerebral:

Paralisia Cerebral é o termo usado para designar um grupo de desordens motoras, não progressivas, porém sujeitas a mudanças, resultante de uma lesão no cérebro nos primeiros estágios do seu desenvolvimento.

Uma definição que defende a condição de hereditariedade para a paralisia cerebral, é a de Schwartzman (1993, p. 53):

A Paralisia Cerebral é definida por um prejuízo permanente do movimento ou da postura que resulta de uma desordem encefálica não progressiva. Esta desordem pode ser causada por fatores hereditários ou eventos ocorridos durante a gravidez, parto, período neonatal ou durante os dois primeiros anos de vida.

Outra definição é a formulada por Eicher (1993 apud Hansen, 2003, p. 24):

A Paralisia Cerebral é a sequela de uma agressão encefálica, que se caracteriza primordialmente por um transtorno persistente, porém não invariável, do tônus, da postura e do movimento, que surge na primeira infância e que não é somente secundária a esta lesão não evolutiva do encéfalo, mas se deve também à influência que a referida lesão exerce sobre a maturação neurológica.

Estas definições procuram estabelecer as características básicas do que entendemos por PC. Pode-se perceber que o termo paralisia cerebral tem sido empregado para se referir a um grupo muito heterogêneo de condições, tendo como etiologia causas múltiplas. A causa manifesta-se, principalmente, por uma desordem do movimento e da postura. Este prejuízo motor é o que predomina dentre os sintomas e sinais apresentados pelos pacientes, porém quase nunca é o único.

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Embora o termo paralisia cerebral tenha se tornado clássico, Costa (2005) o considera inadequado, uma vez que significaria uma ausência total das atividades físicas e mentais. Segundo o autor, para que não haja nenhuma associação com a capacidade intelectual do indivíduo, desde os anos 80 um novo termo passou a ser bastante utilizado no meio médico: Incapacidade Motora Cerebral (IMC). No entanto, como o nome paralisia cerebral ainda é muito popular e com esta denominação surgiram vários trabalhos acadêmicos, sociedades, livros, escolas e instituições, ainda se justifica a sua permanência.

 

Texto retirado do livro “Famílias com crianças em situação de deficiência: desafios e possibilidades” das autoras Ana Paula Pertussati Teperino, Maria Alexina Ribeiro e Erenice Natália Soares de Carvalho da Paco Editorial/2016.


Por Ana Paula Pertussati Teperino


 

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