Envelhecimento ativo e saudável da pessoa com síndrome de Down

Assim como na população geral, o aumento da longevidade das pessoas com síndrome de Down é uma realidade. Entender os aspectos de saúde e o potencial de aprendizagem, somados a uma sociedade menos preconceituosa, mais inclusiva, permitem uma vida adulta e velhice com autonomia e plenitude.

Contudo, vida longa exige planejamento colocado em prática o quanto antes, de preferência desde o berçário, mas na certeza de que nunca é tarde para mudar o estilo de vida e os resultados. Portanto, se você tiver síndrome de Down ou interage com alguém que tenha, busque ou ofereça sempre atividades que estimulem e favoreçam a autonomia ( capacidade de tomar decisões) e independência ( capacidade de colocar sua decisão em prática). Genética não é destino!

Está bem estabelecido que o cromossomo 21 a mais modifica o metabolismo levando a uma processo de Envelhecimento Precoce. Contudo, o Envelhecimento Saudável, objetivo de todos, depende muito mais de fatores ambientais do que genéticos.

O envelhecimento saudável é um assunto atualíssimo. Ele depende pouco de fatores genéticos e mais da atenção à saúde, de um compromisso diário com o Bem-Estar e com o cuidar-se. Um estilo de vida coerente desde a infância é o ideal, mas nunca é tarde para começar!

Não é raro, pessoas idosas com síndrome de Down, ao receberem cuidados interdisciplinares direcionados, tornarem-se aptas ao trabalho, com autonomia surpreendente. O envelhecimento da pessoa com síndrome de Down pode representar uma preocupação extra para seus pais, irmãos ou cuidadores, gerando sentimentos ambivalentes em todos os envolvidos. Não se pode deixar a sensação de desalento tomar conta. É importante que todos os que convivem com a pessoa com síndrome de Down desejem alcançar, também para si, a Saúde Integral.

O envelhecimento saudável está baseado na nutrição, na atividade física, no estímulo cognitivo, nas práticas meditativas e espirituais, além de relacionamentos sociais saudáveis e momentos prazerosos de lazer. A atenção a esses pilares deve ser constante, pois seu benefícios serão sentidos em qualquer faixa etária. Nunca é tarde para começar!

Com relação a alimentação saudável, as pessoas com síndrome de Down tem uma necessidade diária menor de calorias, mas a qualidade do que se come é fundamental. A dieta ideal deve ser anti-inflamatória e antioxidante. Isso quer dizer que açúcar de qualquer espécie, adoçantes, farinhas refinadas, massas, gorduras, alimentos ultraprocessados e enlatados devem ser evitados. Carnes magras, vegetais folhosos e boas fontes de carboidratos, como legumes, grãos, cereais, frutas e alguns tubérculos, são opções saudáveis. Em outras palavras: os alimentos comprados na feira e no açougue são muito bem-vindos!

Já a atividade física estimula o condicionamento ( sistema cardiovascular e respiratório), a socialização, o ganho de mobilidade, massa óssea, equilíbrio, resistência, postura e gasto energético. Na síndrome de Down é importante praticar atividade física moderada, constante, associando a exercícios aeróbicos e de força. A atividade sistemática estimula a produção de energia ( mitocôndrias), melhorando o tônus, a força muscular e o equilíbrio, ajudando a prevenir quedas e comorbidades associadas à idade.

Outra questão importante é a aprendizagem e estimulação cognitiva. Isso porque o cérebro também precisa de exercício. Aprender um ofício novo, alimentar-se com a mão não dominante, treinar uma dança ou instrumento, participar de atividades em grupos de estimulação devem estar presentes sempre.

A arte em todas as suas linguagens (plástica, cênica e musical) tem um papel fundamental no envelhecimento saudável, através de atividades que, além do corpo, estimulam memória, fala, cognição e a participação em grupo. Manter mente e corpo em movimento favorece a criatividade, a tolerância e a cooperação, aspectos que fortalecem o elo entre saúde, bem-estar e longevidade.

O envelhecimento da população geral vem mobilizando políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida dos idosos. No caso das pessoas com T21, a questão da moradia é uma necessidade urgente, considerando que estão sobrevivendo aos pais. O ideal seria que a pessoa com síndrome de Down pudesse participar do processo de tomada de decisão acerca dos tipos de moradia possíveis, respeitando sua vontade, considerando particularidades e necessidades de cada caso.

Por fim, a mudança para um estilo de vida cada vez mais saudável traz resultados positivos em todas as faixas etárias. Em geral, nossas limitações são menores do que as enxergamos. Portanto, não devemos desistir nunca de buscar novos caminhos, sabendo que a meta só é alcançada dando um passo de cada vez!


Fonte: Guia da Vida Adulta na T21 – Elo21


 

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