Cada um tem a sua luta; cada um tem a sua história

Gosto muito de conhecer as histórias de vida e de luta das pessoas. Percebo o quanto cada um tem um processo único de aprendizagem e o quanto as lutas e dificuldades nos dignificam e nos humanizam.

A convivência diária com as pessoas com deficiência me fez ver um mundo novo. Não que eu ache que as pessoas com deficiência tenham mais problemas que os demais. Afinal, todos nós temos as nossas batalhas pessoais, mas parece que temos medo ou vergonha de externalizar isso, temos receio de parecermos frágeis e problemáticos. Quantos de nós já escondeu uma depressão, uma compulsão, um vício, uma dificuldade de aprendizagem ou de socialização?

Já as pessoas com deficiência vivem as suas lutas e dificuldades com mais naturalidade, por isso a convivência com eles é algo extremamente enriquecedor.  Conheço histórias de tantas famílias que tiveram suas vidas transformadas. Em algumas houve separação; em outras fortalecimento dos laços conjugais. Alguns pais não conseguiram aceitar a situação e abandonaram a família; outros ressignificaram suas vidas. Alguns irmãos de pessoas com deficiência tiveram comportamentos de rejeição e de não aceitação; outros de acolhimento e de amor incondicional.

Certas famílias, ao receberem uma pessoa com deficiência em seu lar, tiveram que mudar de cidade, rotina e profissão. Transformaram suas vidas e seu modo de pensar. Algumas tiveram que passar por rotinas intensas em hospitais, cirurgias, descobertas de síndromes raras e doenças incuráveis.

Algumas pessoas vieram de lares muito humildes e por isso  dependem do governo para comprar medicamentos que garantem a sua sobrevivência. Outras, com mais recursos, puderam pagar os melhores e mais avançados tratamentos.

Alguns tiveram muito apoio da família e  conseguiram driblar as muitas dificuldades e barreiras que existem para as pessoas com deficiência se incluírem em nossa sociedade e obtiveram um diploma no ensino regular e um emprego que o valorizassem. Outros tiveram que escutar de todos o tempo todo que nunca seriam ninguém, mas mesmo assim seguem lutando por um espaço na sociedade.

Conheci uma pessoa que ficou tetraplégica em decorrência de um acidente de carro quando tinha uns 20 anos. Passou a lutar pelos direitos das pessoas com deficiência e hoje ocupa um dos cargos mais altos no parlamento brasileiro. Outro que conheci, nasceu com cegueira em uma cidade do interior, fez todos os cursos que podia sobre braille a adaptação de material e ensinou seus professores a como incluí-lo na escola.

Por isso, quando você se deparar com uma pessoa com ou sem deficiência, saiba que por trás dela existe uma história de lutas, de dificuldades, mas sobretudo superação. E por que então não lhe estender a mão?


Talita Cazassus Dall’Agnol


 

2 comentários sobre “Cada um tem a sua luta; cada um tem a sua história

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