Inclusão Escolar, por que não? Dicas para professores

Por que não conversar um pouco sobre a inclusão? Seria ela um bicho de 7 cabeças, um bicho papão?  Pelo contrário: pode ser algo incrível, capaz de revolucionar nossas vidas, nos tornar melhores e mais fortes.

E será que tem uma receita pronta para a inclusão? Infelizmente, não. Mas tem uma dica infalível: abrir seu coração!!!

Muitas vezes nos preparamos para receber uma turma que estamos acostumados e de repente o novo…Então, nos perguntamos:

“Como assim um aluno com deficiência? O que faço, não estou preparada, como atendê-lo? E os outros alunos? Vão ficar prejudicados.”

Tantos questionamentos aparecem em nossa mente, tantas certezas de que isso não está certo que muitas vezes não nos deixamos perceber que temos uma oportunidade incrível em nossas mãos com a qual podemos crescer não só do ponto de vista profissional mas também humano… E este presente não é só nosso, o gostoso é aproveitá-lo com todos juntos. Professores, alunos, comunidade escolar!

Isso porque todos podem ganhar com este novo aprendizado da inclusão… mas para isso precisamos abrir nossos corações.

“Quem cabe no seu TODOS?” Já pararam para pensar nisso?

O que é Inclusão para você?

No dicionário encontramos a resposta: INCLUSÃO – ATO DE INCLUIR,  ACRESCENTAR.

Se vamos incluir é porque estava de fora e por que estavam de fora: índios, negros, deficientes, indigentes? Eles têm menos direitos que nós? Menos condição que nós? Se pensarmos que a escola é um lugar de aprendizado, que tipo de aprendizado é esse? O formal, certo!

O que ensinamos na aprendizagem formal:  os números, as letras e por que ensinamos isso? Qual a sua utilidade? Já pararam para pensar – LER< ESCREVER, CONTAR, SOMAR, DIMINUIR…. Agora, será que só existe uma forma de aprender e de expressar conhecimento?


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Gente, eu sei que tudo isso incomoda, me incomoda também, todos os dias, e quero dividir esse incomodo com vocês.

Observando meus alunos, tenho aprendido muito a ser persistente e a nunca desistir. Pois eles passam anos e anos a fio tentando e tentando, um ano após o outro, escutando “você não aprende”… Mas aprende sim: aprende a ser resiliente, a lutar e a não desistir! Alguns são ótimos na comunicação, mas com as letras e os números têm dificuldade. Outros são tímidos, inibidos não conseguem se expressar; faltam palavras, mas podem se comunicar de outras maneiras com gestos. Uns desenham lindamente, outros nem um traço conseguem fazer; uns leem com fluência, interpretam, mas não têm autonomia; outros dominam a matemática, mas as palavras não conseguem formar. Contudo, continuam lutando e acreditando que vão conseguir… só não sabem que o mais difícil já conseguiram: superar seus próprios limites, o que muitas vezes nós, que não temos deficiência, levamos a vida toda e não conseguimos sequer sair do lugar.

Conseguem perceber as semelhanças nas características dos alunos? Eles são os mesmos que qualquer um de nós, a diferença é que é mais nítida a dificuldade deles. Assim como nós que muitas vezes  precisamos de uma atenção especial para que aprendizagem flua, eles também precisam.

Quando se fala em inclusão não existe receita pronta, mas gostaria de compartilhar algumas dicas que deram certo comigo, confiram:

  • Iniciar o semestre com uma atividade diagnóstica para que você consiga conhecer melhor seu aluno e perceber o nível de aprendizagem em que se encontra.
  • Posicioná-lo perto de você para facilitar o seu atendimento a ele. Outra sugestão seria posicioná-lo junto a um colega que possa auxiliá-lo.
  • Oferecer atividades com linguagem simples, claras e objetivas. Com conteúdo reduzido. Sempre respeitando o nível de conhecimento do aluno.
  • Dividir as tarefas em partes pequenas e ir aumentado as dificuldades gradativamente sempre que o aluno já tiver vencido a etapa anterior.
  • Antes de entregar a tarefa explique o exercício individualmente e certifique-se que ele entendeu o comando.
  • Procure explicar um exercício por vez, pois geralmente, apresentam dificuldade com a memória imediata.
  • Evite deixa-lo sem atividade, nos momentos que precisar trabalhar com os demais alunos e ele ficar ocioso, deixe ele fazendo alguma outra atividade, como – Montar um quebra-cabeça,  fazer um caça palavras, jogo dos sete erros, colorir uma atividade, organizar o caderno, treinar a leitura….atividades que você perceba que ele possui autonomia para realizar sem apoio. Procure ter sempre um banco de atividades, pois poderão ser muito úteis nestas ocasiões.
  • Se você perceber ele muito desmotivado, observe se as atividades não estão muito fora do nível de aprendizado dele, ou para mais ou para menos.
  • Uma sugestão que ajuda muito tanto os alunos típicos quanto os com deficiência é colocar no canto do quadro o que você pretende trabalhar com eles naquele dia, a agenda do dia.
  • Explicar, ensinar o que normalmente aprendemos por imitação, por exemplo – subir e descer escadas. Parece algo tão simples,  tão natural, aprendemos sozinhos, mas muitos dos nossos alunos precisaram aprender estes movimentos. Eles precisaram ser explicados, exemplificados, exercitados para que pudessem aprender. Então nossos alunos precisam que tenhamos esse carinho com eles, de parar e explicar o que na maioria das vezes seria natural aprender.
  • Cada um tem seu tempo de aprendizagem e não conseguimos dimensioná-lo. Portanto, é um trabalho de formiguinha, dia após dia, muitas vezes repetindo incansavelmente cada etapa, de diferentes maneiras, com diferentes estratégias.
  • Não crie expectativas, confie no potencial do seu aluno e no seu trabalho, na maioria das vezes não será você que irá colher os resultados, mas com certeza eles virão!
  • Motivar e elogiar sempre todos os esforços do aluno, pois isto aumenta a autoestima e leva o aluno a ter um autoconceito positivo.

Por Luciene Cazassus – professora que atua em sala de recursos


 

 

 

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4 comentários sobre “Inclusão Escolar, por que não? Dicas para professores

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