Quando decidi ajudar e acabei sendo ajudada

Quando criei o blog Diário da Inclusão Social juntamente com a minha mãe, tinha o intuito de ajudar as pessoas com deficiência a mostrar para a sociedade todo o seu potencial  por meio da disseminação da cultura da inclusão em nossa sociedade.

Com o passar do tempo, contudo, percebi que quem estava sendo ajudada na verdade era eu! Isso porque a convivência com essas pessoas me fez perceber valores preciosos que nós ditos como “pessoas normais” não mais valorizamos…

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Certa vez,  em um de nossos projetos,  fiquei muito chateada pois os jornalistas não estavam entrevistando todos os meninos que estavam envolvidos. Estava preocupada, pensando que esses meninos poderiam se sentir excluídos do projeto ou mesmo desvalorizados… E foi aí que notei que eles não estavam se importando nem um pouco com isso. Eles estavam tão felizes de estar ali naquele evento e de ver os outros amigos serem entrevistados que pouco importava se iriam aparecer na TV ou não.

Percebi, também, muita desunião entre as instituições e pessoas que atuam nesse meio. Mas todos os conflitos sempre partiam de nós, pessoas “normais”, e nunca deles; pessoas com deficiência!

Além disso, posso afirmar que foram incontáveis as vezes que presenciei o meu irmão, que tem síndrome de Down, sendo vítima de atitudes e comportamentos preconceituosos. E em todas essas situações a única pessoa que ficava chateada era EU. Meu irmão não só não percebia a real intenção da pessoa que o estava ofendendo como a tratava sempre com carinho e as vezes até respondia com beijos e abraços.


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Posso afirmar, também, que nunca vi pessoas com síndrome de Down falando mal de outras pessoas, causando intrigas, fazendo julgamentos ou algo parecido. Às vezes podem até ser teimosos, mas a conversa sempre acaba em abraços e beijos!

 

 

E é isso que me faz concluir que na verdade nós ” pessoas normais” temos muito mais a aprender com as pessoas com deficiência do que eles com a gente! Precisamos aprender com eles a despertar a inocência que existe em nós; a despertar o carinho e o afeto para com todos aqueles que nos cercam. Precisamos acabar com todo o orgulho e preconceito que existe em nosso coração e que tanto atrapalha o nosso relacionamento com os outros. Precisamos, sobretudo, nos permitir sermos ajudados por essas pessoas incríveis!


Talita Cazassus Dall’Agnol


 

16 comentários sobre “Quando decidi ajudar e acabei sendo ajudada

  1. Juju disse:

    Oi Talita, ótimo texto. Fico muito feliz por você ter voltado a postar. Como eu já disse eu aprendo muito por aqui e cada vez mais vou tirando “a capa da ignorância” que a sociedade joga sobre a gente. Beijão!

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  2. ceilasaraiva disse:

    Talita obrigada por permitir seguir o blog DIS. Há 1 ano conhecia a pessoa maravilhosa que és, através da Maria Dias coordenadora da APPNE Instituição da qual participo, em um evento em comemoração ao Dia internacional da PcD Em Manaus-AM. A partir desse dia vi que ainda existem pessoas que acreditam que temos potencialidades e nos vêe com olhos de igualdade. Parabéns Talita!

    Curtido por 1 pessoa

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