Uma vida feliz!

Por Luciene F. Cazassus Arantes

Olá pessoal,

Quando criamos este blog, eu e minha filha tínhamos o desejo de abrir um espaço no qual todos pudessem compartilhar suas dúvidas, anseios, experiências… Inclusive nós mesmas! Por isso, gostaria de dividir com vocês a minha experiência como mãe do Carlos Henrique, Caíque como é mais conhecido, nosso menino Down. Então, vamos à Primeira Parte da nossa história!

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Como tudo começou…

Foi no dia 28 de março de 1995 que tudo começou. Opa, na verdade foi antes, quando Deus, sem que percebêssemos, começou a nos preparar para a chegada de nosso menino Down. Isso porque desde a juventude, tanto eu quanto o meu marido, André, gostávamos muito de pessoas especiais e inclusive visitávamos instituições que atendiam essas pessoas.

Quando os nossos outros dois filhos eram pequenos, costumávamos levá-los a um abrigo para crianças especiais que tinha em nossa cidade, para que pudessem crescer livres de preconceitos.

E foi aos meus 25 anos, depois de já ter tido dois filhos, que chegou o nosso menino Down. Sem avisar, de mansinho, sem que esperássemos…

A gravidez

Demorei a perceber que estava grávida, afinal minha vida era tão corrida que nem notei que algo estava acontecendo.Foi quando já com 4 meses resolvi fazer o exame de farmácia, pois percebi que havia algo de errado.

E não deu outra, eu estava grávida! Gravidez que não estava nos nossos planos. Ficamos surpresos, porém felizes!

Fui ao médico para iniciar o pré-natal e durante o restante da gestação tudo transcorreu normalmente. E nada foi detectado pelos médicos…Mas no meu íntimo, eu sentia que havia algo diferente e essa sensação me inquietava.

Era como se a barriga crescesse, mas eu não sentia a presença do bebê. Como nas gestações anteriores, eu conversava com a barriga, colocava música com fone na barriga para o bebê ouvir… ele até se mexia, mas eu não sentia a sua presença.

Aquilo me incomodava e eu chorava muito. Dividia apenas com a minha mãe minhas angústias…Contudo, racionalizávamos e acreditávamos ser porque eu estava voltando a trabalhar e reativar minha vida…No fundo, eu sabia que não era isso, mas não encontrava a resposta!

No oitavo mês, o médico me informou que ele já estava encaixado e deveria pegar leve com as atividades rotineiras, entretanto eu muito teimosa não dei ouvidos e alguns dias depois comecei a sentir as contrações.

O parto

Senti as contrações durante todo o dia e esperei até que meu marido chegasse do trabalho. Ele achou que não era nada, mas a gente não se engana nessas horas e insisti. Aquela época morávamos no Rio de Janeiro… Imagine final da tarde, trânsito, e lá fomos nós para o hospital.

Já na sala de parto comecei a chorar copiosamente e o médico falou: Que é isso mamãe, é seu terceiro filho. Vamos lá!  E eu respondi aos prantos: Eu não sei, esse é diferente!

E assim ele nasceu…O médico mostrou aquele rostinho redondinho, olhos puxadinhos, narizinho peculiar. Logo percebi, mas não quis acreditar… Era o meu filho e eu o amava…Ele nasceu às 20hs e demorou muito para vir para o quarto.

No dia seguinte, os médicos me chamaram para conversar e me levaram até uma salinha. Lá, cuidadosamente, iniciaram a conversa. Perguntaram-me se eu havia percebido alguma coisa diferente no bebê e eu respondi que sim. Eles, então, disseram que ele apresentava características da Síndrome de Down, mas que não podiam afirmar com certeza, já que era necessário levá-lo para fazer o cariótipo. Contudo, o que preocupava os médicos era o seu coraçãozinho, que precisava de avaliação imediata. Perguntaram-me, também, se ele havia mamado e respondi que não, então eles afirmaram que ele não mamaria e eu deveria dar as mamadeiras que as enfermeiras levavam.

As palavras começaram a passar na minha mente e eu já não escutava mais nada, só queria sair dali, queria o meu marido, o meu bebê, queria chorar… Voltei para o quarto e lá chorei muito até o meu marido chegar. E quando ele chegou, logo quis saber o que estava acontecendo. Eu disse, então, que os médicos acreditavam que o nosso filho tinha Síndrome de Down. Mas naquela época essa denominação ainda era novidade. Então eu falei: É mongolismo, André!

Ao que ele respondeu sem nem parar para pensar:Ah, então é por isso que você está chorando… É de felicidade! Deus nos deu um presente!

Gente, aquilo foi como um bálsamo acalmando meu coração e se eu já amava aquele homem, passei a amar, respeitar e admirar muito mais! E, a partir desse momento, começou a nossa luta. Mas essa parte fica para outro dia!

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Espero que tenham gostado!

Um beijo

Luciene Cazassus Arantes

 

22 comentários sobre “Uma vida feliz!

  1. Laise Ribeiro disse:

    Deus enviou esse ser iluminado e puro para ensinar a todos que o cercam, a amar sem limites. E ainda, escolheu essa família, que tem um imenso coração, para recebê-lo da forma linda e acolhedora como fazem desde então, para nos servir de exemplo de dedicação, união e determinação. Parabenizo vocês por essa engrandecedora iniciativa de passar suas experiências adiante. Bravo!!!

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    • Luciene disse:

      Querida prima, fico muito feliz por ter vc sempre juntinho conosco, em todos os momentos especiais de nossas vidas!!!! Obrigada pelo apoio. Beijinhos no coração 😘❤️😘❤️😘

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  2. Ana Maria Araújo disse:

    Minha amiga querida…
    Deus me deu grande presente nesse pouco tempo em que estive em Brasília, ele me deu a amizade de vcs, me emocionei muito e nas suas palavras percebo a luz do amor que existe neste lar abençoado por Ele e vc sabe meu caso com o Caíque foi amor à primeira vista, rsrsrs… Ano vcs!!! Deus os abençoe!!!

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  3. Silvia Noleto disse:

    Deus escolhe pessoas super especiais para cuidar dos anjinhos que nos ensinam muito durante toda a vida. Todo dia é um aprendizado e o amor aumenta. Parabéns 😍

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